Atividade apresentou aos alunos um dos jogos mais tradicionais do Japão e destacou a história milenar do esporte intelectual
Os alunos da turma da manhã da Escola Modelo participaram, na última semana, de uma oficina especial de Igo (囲碁), tradicional jogo de estratégia japonês reconhecido mundialmente como um dos mais antigos e complexos jogos de tabuleiro da história. A atividade foi conduzida pelo professor Ritsuki Hasegawa, enviado ao Brasil pela JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), proporcionando aos estudantes uma verdadeira imersão cultural por meio do aprendizado e da prática do jogo.
Durante a oficina, os alunos conheceram as regras básicas do Igo, aprenderam conceitos estratégicos e participaram de partidas entre si, em uma experiência marcada pela interação, concentração e troca cultural. A atividade despertou a curiosidade dos estudantes e aproximou os participantes de um importante elemento da tradição japonesa.
O Igo possui uma longa trajetória dentro da cultura japonesa. O jogo chegou ao Japão por volta do século VII e, inicialmente, era praticado por monges e membros da nobreza. Com o passar do tempo, se popularizou e passou a integrar também a cultura dos samurais.
Durante o período Edo, iniciado por volta de 1600, o Igo viveu um importante processo de fortalecimento no país. Na época, o governo Tokugawa passou a apoiar oficialmente a prática, reconhecendo as chamadas “Quatro Casas do Go”, famílias responsáveis pelo desenvolvimento do jogo no Japão. Também surgiu o título de “Meijin”, concedido aos grandes mestres, marcando o início do primeiro sistema profissional de Go do mundo.
Ao longo do século XX, o Igo expandiu sua presença internacionalmente e passou a ser difundido fora da Ásia. Em 1989, profissionais japoneses criaram a sede sul-americana do Nihon Kiin, instituição voltada à promoção do Go, localizada em São Paulo. Das quatro sedes internacionais abertas na época, em Nova York, Seattle, Amsterdã e São Paulo, a unidade brasileira é atualmente a única ainda em funcionamento.
Para o presidente do Bunkyo de Mogi das Cruzes, Frank Tuda, iniciativas como essa fortalecem o vínculo dos jovens com a cultura japonesa. “Mais do que aprender um jogo, os alunos tiveram contato com parte da história e da tradição japonesa. São experiências que ajudam a preservar a cultura e despertar o interesse das novas gerações”, afirmou.
Já o vice-presidente do Bunkyo, Daniel Aoyagui, destacou a importância do intercâmbio cultural proporcionado pela parceria com a JICA. “Trazer atividades como a oficina de Igo para a Escola Modelo amplia o contato dos alunos com diferentes aspectos da cultura japonesa, promovendo aprendizado, convivência e troca de conhecimento”, ressaltou.
A realização da oficina reforça o papel da Escola Modelo como espaço de preservação e difusão da cultura japonesa, promovendo atividades que unem educação, tradição e intercâmbio cultural entre Brasil e Japão.



